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terça-feira, 17 de julho de 2012

Dúvida: o que ela é (e o que não é!)



Mente e coração
“Agora, vemos como em espelho, obscuramente; então face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.” 1 Coríntios 13:12

Texto e contexto
Tanto cristãos quanto filósofos pós-modernos mostram que é impossível, ao lidar com toda a realidade, forçar uma certeza matemática em todo teste da verdade. A vida simplesmente não é assim. E o fato é que, se em cada etapa a ciência acreditasse consistentemente nisso, ela entraria em colapso. O próprio Einstein colocou em dúvida a ilusão da certeza matemática. Disse: “Até o ponto em que as proposições da Matemática se referem à realidade, elas não são certeza; até o ponto em que são certeza, não se referem à realidade”. (complicado de entender. Mas no decorrer da leitura vai ficar mais claro J). O melhor modo de descrever nossa busca por certeza na vida seria dizer que é a procura por um alto grau de certeza, ou uma certeza cheia de significado. (...) Não podemos atribuir a dúvida apenas a céticos e incrédulos, já que ela é parte de nossa fragilidade como seres humanos. Somos criaturas limitadas.

Texto e vida
“Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé” (Mc 9:24)
“Não sabemos o nome do homem que falou essas palavras notáveis a Jesus. Quem quer que ele tenha sido, suas palavras expressam com perfeição a ansiedade de muitos cristãos. Eles descobriram em Jesus Cristo algo muito maior do que jamais ousaram sonhar. Deus parece muito próximo, mas algumas dúvidas incômodas ainda permanecem.

Será que posso mesmo acreditar no Evangelho? Será que não é com demais para ser verdade? Deus me ama realmente? Posso ser útil para Ele? Bem no íntimo, muitos cristãos têm essas dúvidas, mas se envergonham disso. Então as suprimem, na esperança de que desapareçam. “Às vezes desaparecem – porém, muitas vezes, não”. Retirado do livro “Como lidar com a dúvida sobre Deus e sobre você mesmo” de Alister McGrath, Editora Ultimato.

Foco
  • Entender que ter dúvida em todas as áreas da vida é normal;
  • Compreender quais são as causas da dúvida;
  • Sentir-se motivado a compartilhar as dúvidas com cristãos mais experientes que possam ajudar.

Esquentando os motores
A dúvida está no ser humano. Vocês podem não perceber, mas ela os acompanha durante a vida inteira – ou, pelo menos, a partir da idade em que vocês passam a ter capacidade para fazer escolhas baseadas em avaliação e julgamento.
Coada dúvida colocará vocês diante de possibilidades a serem escolhidas e, consequentemente, de opções a serem feitas. Algumas poderão ser adiadas e outras serão tão importantes que mudarão o curso de sua vida inteira. Cristãos e não cristãos partilham várias dúvidas comuns relacionadas à vida secular. Os cristãos não têm vergonha de admitir que ficaram em dúvida entre fazer curso técnico ou faculdade ou entre cursas Medicina e Engenharia. Mas há certos pontos em que sentem vergonha de admitir que têm dúvidas. Esses pontos estão relacionados à fé e a assuntos essenciais a ela. O que a maioria dos cristãos não sabe é que é comum ter dúvidas nesta área da vida também.
Neste momento da aula foi distribuída uma folha em branco e lápis para cada um colocar suas dúvidas mais profundas sobre sua espiritualidade, Deus, Cristo, Evangelho, Espirito Santo... Colocamos as perguntas dentro de uma caixa de sapato. A mesmo será aberta na lição de número 9. A intenção é que a maioria destas perguntas sejam respondidas não pelo professor, mas pelos próprios participantes da classe da UPA, com base em tudo o que aprendemos nas 8 lições anteriores. Será um momento bem interessante.

Partida
Muitos cristãos preferem não falar de dúvidas relacionadas à fé. Alguns sentem horror só de pensar nelas. Essas pessoas acham que, de certa maneira, estarão ofendendo a Deus e pecando por pensarem ou admitirem suas dúvidas. Seguindo esta linha de pensamento, têm vergonha de compartilhar as suas dúvidas com outros irmãos, temendo ser tachado de cristão “fracote” ou sem fé. E, assim, acabam sofrendo sem necessidade ao sufocar suas dúvidas – e, que é pior, por vezes se afastam de Deus e da igreja. Para entender direitinho o que acontece com o cristão que se encontra passando por tal situação, vamos, primeiro entender o que a dúvida não é, o que ela é e por que ela existe.

O que a dúvida não é
Muitos cristãos, com frequência, confundem a dúvida com duas ideias que podem parecer semelhantes – mas não são. Este é um dos principais motivos que os levam a ter dificuldade para lidar com ela. Em primeiro lugar, ter dúvida é diferente de ser cético. Cético é aquela que decide duvidar de tudo por uma questão de princípios, afirmando não existir a verdade – e, se ela existisse, o homem seria incapaz de conhecê-la. Em segundo lugar, ter dúvida é diferente de ser incrédulo. O incrédulo toma a decisão de não ter fé em Deus por um ato de vontade, e não por uma dificuldade para entender.

O que a dúvida é
Na maioria das vezes, no campo da fé, duvidar significa perguntar ou expressar incertezas. A pessoa que passa por isso, de fato, crê, porém enfrenta obstáculos em relação à sua fé. Ela pode, também, ter alguma preocupação originária em questões não esclarecidas. Essa dúvida surge não porque a pessoa quer duvidar, mas porque ela não entendeu determinados pontos da fé que deveria ter entendido para continuar no caminho que Cristo estabeleceu para a sua igreja na terra. Uma coisa tem de ficar claro: fé e dúvida não se excluem.

Por que a dúvida surge?
A dúvida por ser considerada um sintoma da fragilidade humana ou da relutância em confiar em Deus por completo. Ambas tiveram origem com a entrada do pecado no mundo. Antes, o homem, Adão, conversava diretamente com Deus e, em um diálogo aberto, não tinha motivos para ter dúvida. Por um ato de desconfiança. Adão e Eva colocaram em dúvida as palavras de Seu Senhor para creditar em um animal que estranhamento se comunicou com eles. Este ato de dúvida deu entrada ao pecado no mundo. Ler Gênesis 3:1-5.

A dúvida poder ter origem antes da conversão. São questões não resolvidas que uma pessoa, ao se converter ao cristianismo, leva com ela. Imaginem um cabo de guerra. De um lado, temos dúvidas reais, que impedem ou atrapalham a pessoa de crer. Do outro, temos o evangelho, cuja atração é irresistível. Então, essa atração ao evangelho é tão intensa que, apesar das dúvidas, a pessoa se converte. Mas as dúvidas não desaparecem: continuam do outro lado da corda, dando puxões ocasionais. O cristão, em algumas ocasiões, sente-se fraco e indeciso, mas nutre a esperança de ver as dúvidas e dificuldades resolvidas, à medida que cresce na fé.

A maneira pela qual vocês se converteram estabelecerá um programa para que possam crescer na fé e em entendimento da Palavra, definindo o que precisa ser esclarecido. Como foi a sua conversão? Foi mais ou menos a descrição acima? Ou vocês se entregaram a Jesus sem dúvida?

Parar para pensar como e quando foi sua conversão pode ajudar vocês a ver quais dúvidas vocês trouxeram antes de s converterem.

Lembranças do pecado e da fragilidade humana
A dúvida reflete a presença contínua e o poder do pecado dentro de nós. Isso nos lembra de que somos carentes da graça divina. Ignorar o pecado ou fingir que ele não está presente só porque agora somos convertidos demostra falta de entendimento da Bíblia e da seriedade do pecado humano, que não deixa de existir mesmo dentro dos escolhidos por Cristo. Quando nos convertemos, há uma mudança em nós e passamos a lutar contra esse mal que habita em cada ser humano – esta batalha só será vencida no dia da volta de Cristo, quando formos restaurados por completo. Mas, por enquanto, estamos em plena guerra diariamente, a qual tem os seus efeitos sobre nós, e um deles é a dúvida. Não estamos neste campo de batalha sozinhos: Deus está conosco, dando-nos força e os instrumentos para que fortaleçamos nossa fé.

Leia Filipense 2:12-13

Além do pecado, a dúvida tem a sua causa na fragilidade humana. Somos limitados, criaturas pequenas e pecadoras, como queremos entender tudo? Como compreender um Deus Todo-Poderoso, infinito em sabedoria, onipresente, onisciente, onipotente e triuno, com uma mente tão limitada? É com tentar colocar o universo dentro de uma semente – simplesmente não dá. Por isso, Deus não nos revelou vários mistérios, e os que nos revelou ele fez por meio de analogias e imagens, para que nossa mente pudesse entender. Lembrem-se de Jesus e o seu ensinamento pro meio de parábolas, para que o povo pudesse captar a mensagem. Assim é Deus conosco por meio da Bíblia.

Devemos aprender a confiar no Senhor naquilo que nossa mente não puder alcançar. A certeza é que enfrentaremos dificuldades para entender Deus e o mundo – no entanto isso significa que colocamos nossa fé no alvo errado, e sim apenas somos o que somos: seres humanos.

Pit stop
Reflitam sobre sua vida cristã. Como ela está? Há muitas dúvidas relacionadas à sua fé? Você consegue identificar a origem delas? Será que, com o estudo da Palavra, conversa com os amigos e oração, elas podem ser eliminadas ou diminuídas?

Chegada
O fato de sermos humanos põe limites ao que conseguimos conhecer e entender. Cabe a nós saber quais são eles e como nos afetam. Temos de ter em mente o que podemos esperar conhecer e p que nossa mente jamais poderá aprender. A dúvida nasce, em parte, por causa de expectativas irreais que criamos referentes à certeza. Não temos de sair provando para o mundo que determinadas coisas são verdade. Muitas delas serão compreendidas unicamente pela fé. Estar preparado para aceitar as limitações faz parte do caminho do cristão rumo ao crescimento espiritual.

Bíblia e Família
Busque conversar com seus pais ou com cristãos mais velhos com quem tenham intimidade sobre as dúvidas e inquietações sobre a fé e a vida cristã. Também leiam a Bíblia (Ao seguir temos algumas dicas sobre versículos referentes a dúvidas que temos)

Um pouco mais
Sugiro como ponto de partida a leitura do livro Como lidar com a dúvida sobre Deus e sobre você mesmo, Alister McGrath, Editora Ultimato.

Leituras
Fp 2:12-13
Hb 1:1-4
Hb 2:1-2
1Jo 5:1-5
Sl 90:1-4
Sl 91:1-4
Sl 99

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Aproveitando as oportunidades - Exercendo a benignidade e a bondade



Instrução básica
3 João 1:11

Mente e coração
“Porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade.” Efésios 5:9

Texto e Contexto
Benignidade e bondade são virtudes que indicam o desejo de satisfazer as necessidades de outros. Por estarem intimamente relacionadas, iremos considerá-las juntas neta lição. A benignidade é um desejo sincero de felicidade para os outros, é uma disposição interna, criada pelo Espírito Santo, que faz com que sejamos sensíves às necessidades físicas, emocional e espiritual de outras pessoas. Já a bondade é a benignidade em ação, ou seja, a bondade envolve ações deliberadas que são uteis para outras pessoas.

Cristo manifesta de modo pleno essas virtudes. Sendo o Filho de Deus, ele demonstrou compaixão pelos pecadores, pregou o evangelho e libertou pessoas oprimidas (Lc 4:18; Mt 9:36; 14:14; 15:32; 20:34; Mc 1:41; Mc 6:34). À semelhança de Cristo devemos ser bondosos e benignos. As escrituras declaram: “não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais a viu a Deus.” (3Jo 11)

Texto e Vida
A solidariedade do homem é revelada diante das catástrofes que assolam o mundo. Em geral, as pessoas se unem para amenizar a dor daqueles que sofrem com as enchentes, terremotos, tsunamis, e com tantas outras catástrofes naturais. A manifestação dessa bondade é útil e justa, mas não expressa o que é mais importante, a glória de Deus (1 Co 10:31). Neste sentido, somente os filhos de Deus recebem e podem expressar as virtudes da bondade e da benignidade de forma agradável e aceitável a Deus. Quando o cristão realiza um ato de bondade, ele não faz para conquistar a salvação ou para ser visto e aplaudido pelos homens, antes ele faz em nome de Cristo, visando à manifestação da glória de Deus.

Infelizmente, somos tentados e inclinados a buscar o bem somente daquelas pessoas com as quais temos alguma afinidade: familia, amigos, irmãos e vizinhos. Porém as Escrituras mostra que devemos ser bondosos e benignos com todos os homens, inclusive com os desprezíveis, ingratos e maus. Realmente, é muito difícil ser amável com uma pessoa ingrata, mas se a graça de Deus estiver atuando em nosso coração, certamente seremos capazes de expressar a bondade (Mt 5:44-45). Aliás, fomos criados por Deus e recriados em Cristo para as boas obras (Ef 2:8-9). Isto significa que faz parte do caráter do filho de Deus ser benigno e bondoso, atuar com amor e graça, suprir e ajudar o próximo.

Foco
  • Devemos compreender que a bondade e a benignidade devem estar presentes na vida daqueles que são transformados por Cristo;
  • Praticar a bondade todos os dias e em todos os lugares, inclusive com os “inimigos”.


Partida
Qual foi a atitude mais bondosa que você já fez ou viu alguém fazer?

Você é gentil e solidário com seus amigos e inimigos? Alguns adolescentes falham no  testemunho cristão, pois agem com severidade e estupidez, em vez de agir com bondade e benignidade. Fique atendo, não jogue fora as oportunidades, aproveite todos os momentos para realizar atos de amor e bondade em nome de Cristo, pois assim glorificará o Pai celestial.

Fazendo o bem na igreja
Leia Gálatas 6:10
Na caminhada cristã, cruzamos com muitas pessoas carents e necessitadas, mas antes e ajudá-las precisamos atentar para as necessidades dos nossos irmãos em Cristo, pois primeiro temos que cuidar da família da fé.

Há algum adolescente na igreja que esteja carente de um par de sapatos, de uma camiseta ou, quem sabe, precisando de uma Bíblia? Fique de olho (ficar de olho nos adolescentes novos que vem no culto da escola dominical, temos que convidá-los. Quem quer ficar responsável pela recepção destes adolescentes?)... Aproveite as oportunidades... Exerça sua benignidade e bondade em favor desses irmãos na fé.

Fazendo o bem em casa
Ler 1 Timoteo 5:8
Você ja deve ter visto aquele tipo de cristão que é bondoso e solidário com as pessoas de fora, mas é preguiçoso na prática do bem em favor de sua própria família. Pense nas inúmeras oportunidades de fazer o bem em casa: Lavar um prato sujo, colocar o lixo na rua, limpar o quintal, arrumar a cama ou ajudar o irmão mais novo na lição de casa.
Lembre-se de que o fruto espiritual da bondade e da benignidade deve ser praticado diariamente na escola, no bairro e principalmente no convívio familiar. Você precisa acordar e praticar a bondade, servindo sua família e contribuindo para manter tudo organizando e limpo na sua casa.

Fazer o bem na escola
Leia Colossenses 3:8
A violência é uma realidade no ambiente escolar. Alunos cheios de maldade, ira, inveja e ciúmes fazem guerra uns contra os outros; nem mesmo o professor escapa e alguns educadores são agredidos com palavras, gestos e ameaças (lembrar o caso do aluno que deu um tiro na professora esta semana em São Caetano do Sul - SP). Nesses contesxtos de guerra, o adolescente cristão deve ser benigno, bondoso, amigo, companheiro e gentil na prática do bem.
Mesmo no contexto de guerra, o fruto do Espírito deve resplandecer em sua vida por meio do amor e das boas obras, continue buscando com perseverança a pacificação entre seus colegas, realizando atos que reflitam a bondade de Cristo.

Fazendo o bem aos que fazem mal
Leia Lucas 6:32-36
Fazer o bem àqueles que nos fazem bem é fácil, mas fazer o bem àqueles que nos fazem mal é muito difícil. Você é capaz de ser condoso e benigno com seus inimigos?
Pense naquele adolescentes que o agrediram com palavras e gestos. Pois bem, esse é o seu chamado! Como Cristo, você deve sempre pagar o mal com o bem (Rm 12:9,17,21), pois assim que mostrar ao mundo quem é o Pai celestial.

Aproveitando as oportunidades
Leia Romanos 12:17
As oportunidades de fazer o bem estão nas situações comuns do dia a dia; seja na escola, no trabalho, na igreja, na rua ou numa loja, você terá a oportunidade de servir a Deus, servindo outras pessoas (Mt 25:31-46).
Você não é responsável para realizar todo bem que precisa ser feito no mundo, mas você deve fazer o bem que Deus planejou para você fazer. Então, comece agora mesmo, não perca tempo nem as oportunidades!

Chegada
Apesar de bondade e da benignidade fazerem parte do fruto do Espírito, você precisa da graça divina para desenvolver essas virtudes. Então, busque na graça e no poder de Deus, por meio da oração e da leitura bíblica, o fortalecimento e a sabedoria para fazer o bem.

Bíblia e família
Não seja “grosseiro” e “estúpido”, pratique a bondade e a benignidade, sendo generoso, amoroso, agradecido e educado com seus pais e irmãos.
Você também pode fazer alguma visita aos idosos e enfermos de sua igreja nesta semana. Certamente eles ficarão muito felizes com a visita e a atenção de vocês.

Roteiro de leitura
Romanos 15:14-21
Provérbios 21:21
Salmos 31
Provérbios 3:3
Salmos 86
Efésios 4:32
1Pedro 3:10-11

Conteúdo da aula dada em 25/Set/2011

domingo, 29 de abril de 2012

Jacó - Um antigo trapaceiro




Mente e coração
“... Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes.” (Gênesis 35.2b)

Instrução básica
Gn 35:1-7

Texto e contexto
A história narrada aqui é a certeza de que Jacó agora era um novo homem, não mais o antigo, que fazia vistas grossas para o seu pecado e o de sua familia. Jacó chamou toda sua familia e exigiu purificação de todos: “Lançai fora os deuses estranhos... puridicai-vos e mudai as vossas vestes.”

Comportamento bem diferente do que adotou quando saiu de Padã-Arã. Naquela ocasião, Jacó saiu escondido de Labão, só avisou às suas esposas que arrumassem as coisas que iam embora. Ele nem era reconhecido como um servo de Deus de Abraão e Isaque. Veja como Labão se refere ao sonho que teve: “O Deus de vosso pai me falou” (Gn 31:29, ele não diz: “o seu Deus”.

Aqui encontramos um homem temente a Deus, transformado. Ele assume seu compromisso e sabe que não existe lugar em sua vida para uma adoração paralela a outros deuses e convida sua família a fazer o mesmo e abandonar a velha vida.
“O arrependimento envolve a renúncia de qualquer coisa que impeça ou atrapalhe a adoração e o culto a Deus. A exigência primária da aliança é a lealdade exclusiva a Deus (Êx 20:3-5; Js 24:23).” Este texto mostra que Jacó agora era um homem transformado e queria conduzir toda a sua família num propósito de purificação e adoração a Deus.

Texto e vida
Quando lemos esta passagem, nos deparamos com o milagre da conversão. A conversão nos nossos dias tem sido banalizada. Qualquer um diz que é cristão, mas não tem nada a ver com Cristo, com ser separado, ser santo. É urgente que no meio da igreja haja purificação, haja reconhecimento de que estamos guardando ídolos, escondendo deuses estranhos, usando vestes do velho homem.

Essa santificação pode começar na vida de cada um de nós, nas nossas casas, nas nossas classes de escola dominical, nas nossas reuniões. Quais são os deuses escondidos no meio de nós? Quais são as vestimentas do velho homem que precisam ser lançadas fora? Quais pecados nos parecem tão familiares que nem nos envergonhamos por cometê-los?

Vamos lá! É tempo de deixar a vida do velho homem e nos revestir de novo homem, criado por Deus, em justiça e retidão (Ef 4:20:24)

Foco
  1. Entender que ser cristão exige renúncia das nossas velhas manias pecaminosas;
  2. Assumir o compromisso de um testemunho cristão que influencie o meio onde vive.

Esquentando os motores
Comece a aula com a seguinte dinâmica. Escreva numa cartolina a palavra trapaça. Forme um círculo com seus alunos e dê uma caneta para cada um. Peça a eles que escrevam em volta da palavra atos que sejam de trapaça.

Provavelmente, escreverão atitudes relacionadas à política, mas vá incentivando-os para que cheguem aos atos do cotidiano, aquelas “pequenas infrações” pelas quais a maioria das pessoas nem se sente culpa: mentirinha, furar fila, colar e passar cola, pegar canetas de estabelecimentos, sonegar impostos, passar no sinal vermelho, etc. Todos perceberão que a trapaça existe em todos os níveis da sociedade e pode ser exercida de uma maneira que até fique parecendo normal, nada demais.

Jacó era o típico espertalhão. Quando lemos os textos que contam as suas enganações, acabamos por achar que Esaú era um atrapalhado, que não ligava para os valores da família (Gn 25:27-34; 26:34-35), ele merecia perder o direito de primogenitura. Mas isso já havia sido avisado no seu nascimento, Rebeca já sabia que o mais novo estaria em posição superior al mais velho. Então, mesmo que Jacó não fizesse nada, ele já teria o direito. É difícil explicar isso, mas nossos atos de trapaça náo justificam os fins. Jacó passou a juventude inteira fugindo, deixou seu pai com um sentimento terrível quando percebeu que não tinha dado a bênção a Esaú (Gn 27:33) e continuou no seu mundo de trapaças.

Jacó levou muitos anos para perceber que a sua esperteza um dia o deixaria em apuros e foi assim que ele se sentiu. Ele foi esperto com Esaú, mas Labão também usou de esperteza com ele, seu uma de “João sem braço”. Muitas vezes ele experimentou do próprio veneno. Além disso, ele não aguentava mais viver sob o senhorio de Labão e seus filhos, mas tinha medo de voltar para o meio da sua familia. Os atos falhos e as pequenas infrações nos colocam numa bola de neve, que parece não ter fim.

Partida
Vocês sabem o que quer dizer a expressão “jeitinho brasileiro”? Trapacear, enganar, levar vantagem em tudo. Pois é, Jacó viveu tantos séculos antes do Brasil existir e tinha o “jeitinho brasileiro”.
  • Ele se aproveitou da fome do irmão;
  • Com sua mãe, enganou o pai e, de novo, passou a perna no irmão;
  • Soube dar o troco quando o seu sogro e cunhados queriam tirar vantagem à custa do seu trabalho;
  • Quis até mesmo fazer barganha com Deus. Ou seja, ele sempre queria levar vantagem.

Nota: Alguns confundem o “jeitinho brasileiro” com a capacidade de se adaptar a tudo. Mas, na verdade, há vários textos explicando que o “jeitinho brasileiro” é aquele de dar uma de esperto, de seguir a lei de Gérson e levar vantagem em tudo.

O jeitinho
“Na prática, o “jeitinho” é uma maneira de a pessoa se colocar entre o certo e o errado. Ela sabe que o que está fazendo não é moralmente correto, mas perdoa a si mesma porque sabe que estará saindo na vantagem.”

“Jeitinho brasileiro” é igual a trapacear. Exemplo: furar fila, levar o troco a mais, colar na prova, falsificar assinatura, jogar lixo na rua, tirar proveito do professor, dos pais, dos irmãos, dos colegas, só para se dar bem. E dizer: “Não foi errado, só dei um jeitinho.”

O trapaceiro começa com pequenas mentiras, até se tornar um grande mestre da trapaça. Jacó era bom nisso, mas já estava todo enrolado e com medo.

Jacó nada mais fez do que tirar vantagem de Esaú. Primeiro, se aproveitou da fome de Esaú. Depois, até se asustou com a orientação de Rebeca para que tomasse o lugar do seu irmão, mas, mesmo assim, ele foi. Teve tempo para mudar de ideia enquanto buscava os cabritos, enquanto Rebeca cozinhava e enquanto pegavam as peles. Mas, para quem já tinha enganado uma vez, não foi difícil enganar de novo.

No ringue
Aquele que começa com mentira acaba se tornando um grande mentiroso, sem peso nenhum. O encontro de impacto com Deus talvez seja uma luta longa, faz do homem acostumado a pecar uma nova criatura.

Frank Abagnale “Prenda-me se puder” foi um trapaceiro de sucesso dos 16 aos 22 anos. Começou com falsificações de cheques, de assinaturas, de identidade, de profissão e viajou o mundo aplicando golpes. Ficou preso durante cinco anos. Percebeu que sua vida no crime seria sempre de fuga e mudou de rumo. Hoje é um milionário, porque ensina as empresas a evitar as fraudes. Na história dele nada indica que houve conversão, apenas é um bom exemplo de que a vida de trapaça é sempre conturbada. Não há paz na vida do trapaceiro e falsificador.

Pensando bem, todos nós gostamos um pouco do antigo Jacó. Ele se virava bem com aquela mania. Porém, ele mesmo não estava bem, vivia cheio de temores desde a adolescencia. Quando bem, vivia cheio de temores desde a adolescência. Quando lutou com Deus, viu quanto o Senhor o amava, pois não o matou, então percebeu que era hora de deixar qualquer outra opção de lado e seguir em frente como servo de Deus vivo, o mesmo que o tinha abençoado durante todos os anos de sua vida.

Uma hora ou outra a casa cai para os mentirosos, manipuladores, enganadores, deturpadores da verdade. Sempre haverá a descoberta. E aí? Como enfrentar? Fugis? E se não houver para onde fugir?

Vocês já viveram alguma situação da qual gostariam de fugir, colocar a cabeça num buraco para se esconder de tanta vergonha? Acho que foi o seu dia de Jacó, de tão esperto que eram, ficaram com medo de enfrentar a situação. Vocês estão no ringue para lutar contra o peso pesado, e agora? Leia: Ef 4:20-24; Hb 10:26-27 e 1Jo 1:9

Pit Stop
Nenhum tipo de trapaça tem lugar na vida de quem teve um encontro com Deus. Nossa vida não é flex* como os carros.

Chegada
O censo revela que o número de evangélicos cresceu, mas o nosso país continua sendo um dos mais corruptos do mundo. Onde estamos nós? Nada muda nas nossas vidas, continuamos no mesmo mundo de sempre, guardamos nossa raiva, nossas rixas, nossos jeitinhos, mantemos nossa natureza intacta. Entramos e saímos de culstos e mais cultos e nada nos confronta. Quanto a igreja se levantar, quando nós ouvirmos a voz de Deus, a igreja será transformada, a nossa sociedade será tocada e sentirá o “bom perfume de Cristo”.

“A sociedade muda quando os indivíduos que vivem nela mudam.”

A nossa sociedade tem se corrompido cada dia mais. Isso não é um erro apenas dos políticos. A corrupção começa dentro dos lares. Quando nos encontramos com Deus isso tem de mudar. É uma luta, mas não há como sair do encontro com o Senhor sem transformação.

A mudança na vida de Jacó não foi benefício só para ele, foi também para sua família, para as terras por onde ele passava e se estendeu a toda a sua geração e atravessou os séculos.
Quanto nós, cristão, formos sal e luz nesta sociedad corrompida, ela também começará a mudar.

Um pouco mais
Tivemos também a participação de Igor Santos dando sua palavra sobre o impacto da pirataria na vida dos artistas e o que Deus falou com ele sobre não ser certo baixar músicas sem concentimento do artista. Antes ele sempre baixava e depois desta confirmação de Deus, nunca mais baixou. O interessante é que depois desta decisão, passou a ganhar muitos CDs.

Bíblia e a família
Converse com a sua família sobre o tema desta lição, sobre a postura que os cristãos têm de tomar numa sociedade corrompida e não se deixar enredar no erro, com a desculpa de que é somente um jeitinho.

Orem a respeito da urgência que temos em mudar, para que a nossa sociedade seja também abençoada no convívio com a igreja.